Teoria do Não-Objeto - Ferreira Gullar

Ao ler o texto, em alguns momentos eu sentia que estava compreendendo, mas em outros não.

O texto relata como, no início, os pintores impressionistas deixaram de representar os objetos em sua forma literal e passaram a expressá-los por meio das cores. Autores como Monet utilizavam essa técnica, na qual o foco recaía sobre a figura principal, que se destacava e conferia importância ao conjunto da obra.


Esse processo evoluiu e, com isso, surgiram os pintores abstratos, que desobjetificaram os objetos, atribuindo-lhes novos significados e relevância, um novo sentido no mundo. Mondrian, precursor nessa área, levou essa proposta ao ápice em obras como Broadway Boogie-Woogie e Victory Boogie-Woogie. Quando isto ocorre o que passa a importar é a essência da obra e não os elementos nela inseridos.



As pinturas possuíam molduras que as separavam do mundo real e apresentavam obras como representações dele. Ao perderem esses elementos, as pinturas passaram a se confundir com o próprio mundo real.

Algo semelhante ocorreu com as esculturas, especialmente as dadaístas, como Merzbau, de Kurt Schwitters. A junção de objetos cria um novo objeto que não precisa manter seu sentido inicial: eles transcendem. “A limitação desse processo de transfiguração do objeto está em que ele se funda menos nas qualidades formais do objeto do que na sua significação, nas suas relações de uso e hábitos cotidianos”.

O não-objeto constitui-se menos pelas qualidades formais do objeto do que por sua significação, vinculada a usos e hábitos cotidianos, e surge como criação que transcende convenções artísticas, reafirmando a arte como formulação primeira do mundo. “Toda obra de arte tende a ser um não-objeto, mas esse conceito aplica-se com rigor apenas às obras que se realizam fora dos limites convencionais, trazendo como intenção fundamental o deslimite de sua aparição”. Sua relação com o sujeito dispensa intermediários, pois sua significação é inerente à forma, pura presença que não representa, mas se apresenta, convocando o espectador não como testemunha passiva, mas como condição essencial de seu próprio acontecer.




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